Pesquisa com bactéria pode controlar transmissão de dengue

Publicado por Coordenacao BioEaD 23 mar 2014 Sem comentários »

Está em fase de aprovação regulatória no Brasil uma pesquisa que pode ajudar a combater a dengue. Desenvolvido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Rio de Janeiro, o estudo está implantando uma bactéria em ovos do Aedes aegypti, vetor da doença, que pode reduzir a vida do mosquito e, assim, impedir que ele consiga transmitir o vírus. A pesquisa foi um dos temas discutidos na apresentação do Painel Multidisciplinar Dengue 2014, que aconteceu no último dia 25, em São Paulo, e reuniu jornalistas e pesquisadores do tema.

 

aedesMosquito Aedes aegypti, o principal vetor da dengue. Fonte: www.phsource.us

A bactéria, chamada Wolbachia, existe naturalmente em cerca de 70% dos insetos, mas não no Aedes. Na mosca da fruta (Drosophila melanogaster), observou-se que a bactéria causa redução do tempo de vida e impede que o animal se infecte com o vírus da mosca. “Os pesquisadores (australianos, de onde a investigação foi trazida) pensaram então que, se conseguissem diminuir o tempo de vida do mosquito, como acontece com a mosca, e, além disso, o mosquito não se infectasse com os vírus de mosquito (como o da dengue), haveria bloqueio da transmissão da doença”, explica o biólogo Gabriel Sylvestre. Ele é o coordenador de Entomologia de Campo do projeto Eliminar a Dengue – Desafio Brasil, da Fiocruz, e apresentou a pesquisa no evento.

O biólogo explica que o estudo implanta a bactéria nos ovos do mosquito e, quando os animais que nascem cruzam com unidades sem a bactéria, são gerados filhotes com a Wolbachia. O objetivo é que o Aedes aegypti passe a viver tempo que não seja suficiente para transmissão do vírus da dengue.

 

Pesquisa

Ainda não está decidido pelos pesquisadores qual tipo da bactéria será usada em definitivo. Por isso, não dá para precisar quantos dias o mosquito sobreviverá. “Tem cepa (da bactéria) que reduz um pouco mais o tempo de vida e bloqueia mais o vírus, outra reduz menos. O mosquito que vive normalmente 30 dias, dependendo, passa a viver 15. Mas isso depende. São várias combinações possíveis. A gente vai chegar num ponto ideal. A gente já tem o mosquito brasileiro com a bactéria, mas ainda enclausurado em laboratório”, destaca.

Conforme Gabriel Sylvestre, que é mestre em Biologia Parasitária, o Aedes aegypti necessita de 10 a 14 dias para transmitir o vírus. “Se a gente reduzir o tempo de vida abaixo desses 10 a 14 dias, o mosquito não vai estar capaz de transmitir o vírus. Ele morre antes de poder transmitir. Isso já é um efeito muito bom”, frisa. Segundo Sylvestre, a pesquisa acontece no País há cerca de dois anos e ainda não há previsão de quando os mosquitos serão colocados em campo.

Fonte da notícia: http://www.opovo.com.br/app/opovo/cienciaesaude/

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